segunda-feira, 17 de outubro de 2011

SOBRE A SEMANA

O II Semana do Pensamento Econômico acontecerá na Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), na Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas e Exatas (FACSAE)/ Campus Mucuri, Teófilo Otoni - MG, durante os dias 16 a 18 de Novembro de 2011. A segunda edição do evento parte dos esforços do Centro Acadêmico de Ciências Econômicas (CACE) em resgatar, no ano em que comemora seus 40 anos de existência, o debate da teoria da dependência. Convidamos a todos à participarem desse rico e necessário debate.

SOBRE A IMPORTÂNCIA DO DEBATE

Devido às afirmações que alegam uma nova etapa de desenvolvimento para o Brasil e o contexto de crise internacional somados aos recentes levantes populares por toda a Europa, África, Ásia, Estados Unidos e América Latina, surge a necessidade de retomarmos o debate do desenvolvimento/ subdesenvolvimento, da dependência, do imperialismo e do subimperialismo. Um ciclo de debates que nos anos 1960 e 1970 percorreu todo continente latino-americano. Entre os principais intelectuais figuram: Ruy Mauro Marini, Theotônio dos Santos, Vânia Bambirra, André Gunder Frank e Fernando Henrique Cardoso, que dialogavam frontalmente com os teóricos da CEPAL como: Celso Furtado e Raúl Prebisch, os quais, especificamente, foram  levados a uma revisão dos seus aportes sobre a viabilidade do projeto de desenvolvimento nacional autônomo para os países latino-americanos.

A propícia conjuntura histórica atual, para o debate proposto, coincide com o ano em que a Teoria da Dependência comemora seus 40 amos de existência. Para tanto, em nossa II SEMANA DO PENSAMENTO ECONÔMICO homenagearemos uma de seus principais intelectuais, a Vânia Bambirra (UNAM/ UnB).. 


O evento surge do esforço dos estudantes do curso de ciências econômicas em apreender este debate. Para tanto realizoa-se o I Seminário Dependência e Imperialismo no Brasil com a profª Virgínia Fontes (UFF), ocorrido no mês de julho e no mini curso "A Teoria Marxista da Dependência: história e principais conceitos" com o Fernando Correa Prado, em agosto.

Várias questões estão postas e o momento é oportuno ao debate. Dentre as quais podemos citar: "Por que um debate com tanta expressão e importância histórica, como o foi o da teoria da dependência, e que carrega um acúmulo de 40 anos de existência pouco é conhecido no Brasil? Mesmo tendo parte de seus intelectuais nacionalidade brasileira?"; "No ano em que se comemora 40 anos da Teoria da Dependência, continuamos, quanto nação e região, dependentes no cenário internacional? De que maneira se manifesta essa dependência?"; "O desenvolvimento do capitalismo no Brasil permite, diante da conjuntura internacional, classifica-lo como um país em desenvolvimento? O que representa as transformações no cenário econômico brasileiro para o povo em si?"; "Podemos falar de imperialismo no século XXI? O Brasil ainda se configura como país subimperialista? Ou alcança o bloco dos países de capital-imperialismo, mesmo que em posição diminuta?"; "O que representa a recente crise para o capitalismo dependente latino-americano? Esse cenário internacional de levantes populares, em regiões tanto de capitalismo avançado como dependente, apresenta possibilidades de transformações de cunho estrutural?"; "O que representa os processos que estão ocorrendo na Venezuela, Bolívia, assim como os que ocorrem em Cuba? Dentro do debate do imperialismo e dependência, quais análises podem ser feitas com relação à Aliança Bolivariana para as Américas (ALBA)?"

PROGRAMAÇÃO DA SEMANA



 Obs.: Clique na imagem para expandi-la.

PALESTRANTES CONVIDADOS

VÂNIA BAMBIRRA (UNAM/ UnB)

Cientista política brasileira. Graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mestre pela Universidade de Brasília (UnB) e doutora em Economia pela Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM). Compõe o quadro dos intelectuais que formularam a Teoria da Dependência, autora de várias obras como El capitalismo dependiente latinoamericano (1972) e Teoría de la dependencia: una anticritica (1977).



THEOTÔNIO DOS SANTO (UFF/ UNESCO)

Sociólogo, cientista político e economista brasileiro. Graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais (1961), mestrado em Ciência Política pela Universidade de Brasília (1964), doutorado em Economia Por Notório Saber pela Universidade Federal de Minas Gerais (1985) e doutorado em Economia Por Notório Saber pela Universidade Federa Fluminense (1995). Atualmente é coordenador da cátedra UNESCO/ ONU sobre Economia Global e Desenvolvimento Sustentável (REGGEN) e professor emérito da Universidade Federal Fluminense. Hoje é um dos principais expoentes da Teoria do Sistema Mundo, como também é referenciado no debate da Teoria da Dependência. Autor de várias obras de circulação internacional como El nuevo Carácter de la dependencia (1967), Imperialismo y dependencia (1978), A Evolução Histórica no Brasil: da Colônia à crise da Nova República (1993) e A Teoria da Dependência: balanço e perspectivas (2000).

UMA HOMENAGEM À VÂNIA BAMBIRRA


Desconfiai do mais trivial ,
na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada, de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.

 Bertolt Bretch

Como homenagem à autora em nosso blog disponibilizamos o link de um texto feito pelo Fernando Corrêa Prado, publicado pela revista eletrônica Rebela. 

Link do Texto:


Resumo: A intenção deste breve ensaio é apresentar em linhas gerais a trajetória intelectual de Vânia Bambirra, cuja obra perpassa, entre outros temas, a formação do capitalismo dependente latino-americano, as caraterísticas de processos históricos fundamentais como a Revolução Cubana, assim como o pensamento de clássicos do marxismo sobre a questão da transição ao socialismo. Em contraste com o reconhecimento que tem em outros países da América Latina, é uma autora brasileira que ainda segue pouco estudada no seu próprio país. Retomar seu pensamento de forma crítica e prospectiva é uma tarefa fundamental das novas gerações, não apenas para conhecer melhor o quadro do marxismo latino-americano, mas também, e principalmente, para buscar elementos que ajudem a compreender a realidade atual.

CARTAZ DO EVENTO


Desenho:  O transportador de Flores - Diego Rivera

Nada melhor do que resgatar um debate latino-americano, apresentando grandes expressões artísticas que a compõem. Diego Rivera foi um dos maiores pintores mexicanos e um dos protagonistas do muralismo mexicano, juntamente com Orozco e Siqueiros.

Rivera nasceu em Guanajato, em 1886. Estudou na Academia de Bellas Artes de San Carlos, no México, mas aos 21 anos partiu para a Europa, beneficiado por uma bolsa de estudos, onde ficou até 1921. Esta experiência enriqueceu-o muito em termos artísticos, pois teve contato com muitos pintores e correntes estéticas, que influenciaram a sua obra.

Regressado ao México dedica-se intensamente à pintura mural, onde desenvolve um trabalho monumental, tanto em termos formais como, principalmente, de conteúdo.

Rivera era um homem empenhado políticamente. A sua militância comunista reflete-se claramente nas temáticas da sua pintura. Rivera pinta o povo índio em toda a sua dimensão social e histórica, de uma forma profundamente idealista e utópica. Em termos formais "...os trabalhadores das suas obras ainda revelam as suas influências clássicas. Inicialmente pintadas de uma forma bi-dimensional, as suas figuras "ganharam corpo" tendo em conta os frescos italianos da Renascença e as suas próprias experiências cubistas". (António Luque)

Rivera também praticou a pintura de cavalete, apesar de considerar esta uma modalidade menor em comparação com a pintura mural, uma vez que não tinha a mesma força de intervenção política pois não levava a sua mensagem às massas. Manifestação pela Paz (1956) é um dos exemplos mais importantes desta faceta da sua obra.

Da sua vasta obra como muralista destacam-se os frescos do Palácio do Governo (1929) e do Palácio
Nacional (1935), no México. Mas Rivera também trabalhou fora do México. Entre 1930-1934, trabalhou no fresco do Rockfeller Center, em Nova Iorque, que foi destruído antes de terminado. Neste fresco Rivera fazia a exaltação do comunismo e uma crítica dura do capitalismo, "mostrava ao mundo a convicção otimista de que "um dia" o homem será dono do seu destino em vez de ser empurrado para lá e acolá por forças que ele não é capaz de controlar". (idem)
Rivera morreu em 1957, no México.

Entre 1921 e 1956, Rivera pintou uma superfície total de 6.730 m2, divididos por 19 edifícios no México, 8 nos E.U.A., 1 na China e 1 na Polónia.

Fonte: http://www.citi.pt/cultura/artes_plasticas/desenho/alvaro_cunhal/rivera.html